Os melhores bairros de bares, cidade a cidade
Em Portugal, a noite não está espalhada pela cidade. Está encravada em três ou quatro ruas, quase sempre as mais antigas e as mais estreitas, e quem acerta na rua acerta na noite inteira. Este é o mapa curto, cidade a cidade.
Lisboa: Bairro Alto e Cais do Sodré
O Bairro Alto é uma grelha de ruas do século XVI que de dia dorme e à noite acorda. Os bares são caixas pequenas, cada uma com a sua música, e a escolha faz-se andando: se não gostas, dás vinte passos e estás noutro. É o sítio mais fácil para começar, porque não exige plano nenhum. O Cais do Sodré, a descer para o rio, é o oposto: uma rua só, antiga zona portuária e de casas de má fama, hoje com as casas de noite mais conhecidas da cidade e um horário que se estica até de manhã. Entre os dois, o Príncipe Real oferece cocktails feitos com calma e jardim para respirar, e Santos e a Avenida 24 de Julho ficam com os clubes grandes e os grupos de aniversário.
Porto: as Galerias e o triângulo à volta
A noite do Porto cabe num quarteirão. A Rua Cândido dos Reis e a Rua Galeria de Paris, coladas uma à outra, têm mais bares por metro do que qualquer outra rua do país, muitos deles instalados em lojas antigas que mantiveram os balcões, os azulejos e as prateleiras originais. Uns põem jazz, outros música brasileira, outros são simplesmente escuros e cheios. Ao lado, a Rua das Flores e a zona dos Aliados servem para começar a noite sentado, e Miguel Bombarda, a rua das galerias de arte, é a alternativa de quem prefere conversa a volume. Como está tudo a menos de dez minutos a pé, o Porto é a cidade portuguesa onde é mais fácil mudar de ideias a meio da noite.
Coimbra e Braga: o calendário manda
Em Coimbra, a noite espalha-se entre a Praça da República, o coração da vida estudantil, e as ruas em volta da Sé Velha, onde as repúblicas e as tunas ainda marcam o tom. Em Braga, é a zona da Sé, do Largo de São João do Souto e da Avenida Central que concentra os bares, com uma cidade jovem que enche as esplanadas antes de entrar. As duas partilham a mesma regra: em período de aulas, estão cheias todas as quintas-feiras; em férias, são cidades tranquilas onde a noite acaba cedo. Quem planeia a visita ganha em confirmar o calendário académico antes de reservar a viagem.
Aveiro, Évora e o interior
Aveiro junta os bares ao canal, na zona do Cais dos Botirões e da Praça do Peixe, um dos sítios mais agradáveis do país para estar de copo na mão ao ar livre. Évora concentra tudo à volta da Praça do Giraldo e das ruas de muralha, com uma noite pequena mas surpreendentemente teimosa, sustentada pela universidade. Nas cidades do interior, de Vila Real à Guarda e a Castelo Branco, o modelo repete-se: uma praça central, meia dúzia de bares que toda a gente conhece pelo nome do dono, e uma noite que compensa em conversa o que não tem em escolha.
Sul e ilhas: Faro, Albufeira e Funchal
No Algarve há duas noites diferentes e vale a pena não as confundir. Albufeira, na chamada Strip, é alta temporada, luzes fortes e público internacional. Faro, na baixa e à volta da Rua do Prior, é bem mais local, movida a estudantes e a quem vive na cidade o ano inteiro. Já no Funchal, a Rua de Santa Maria, a artéria mais antiga da cidade, transformou-se numa fila contínua de bares e restaurantes, com portas pintadas por artistas e um ambiente que se mantém animado fora do verão, coisa rara no país.
Como escolher em cinco minutos
A regra prática é simples e funciona em qualquer cidade: chega à rua certa por volta das onze e meia, dá uma volta completa antes de entrar em lado nenhum, e escolhe pelo som que sai da porta e pela idade de quem está lá fora. Um bar com gente à porta às onze estará cheio à meia-noite; um bar vazio a essa hora vai continuar vazio. E se a noite não estiver a resultar, muda de rua em vez de mudar de bar, porque em Portugal cada rua tem público próprio e a diferença entre duas ruas vizinhas costuma ser maior do que entre dois bares da mesma esquina.
Perguntas frequentes
Qual é a melhor cidade portuguesa para uma noite fora?
Para variedade, Lisboa. Para conveniência, o Porto, porque está tudo a pé no mesmo quarteirão. Para ambiente jovem e barato, Coimbra ou Braga em período de aulas.
Vale a pena sair a meio da semana?
Nas cidades universitárias sim, sobretudo à quinta-feira, que é a noite forte dos estudantes. Nas outras, a semana é fraca e a noite concentra-se entre sexta e sábado.